Pulso elétrico.

O ritmo circadiano do Onze não tem a influência da luz solar, ele é ditado pela artificial luz dos monitores num ritmo frenético de frames por segundo. Há quem diga que o relógio do núcleo supraquiasmático do Onze, é digital. Por isso suas funções do ciclo biológico são sempre tão perfeitas. A serotonina do Onze é o hipertexto do cyber espaço, a conexão de informações, o conceito da ligação de hiperlinks levando a um novo ramo de informação. Somos todos escravos dessa ciência que nos guia além do limitado alcance físico das mãos. Ao assimilar e-books, feeds, ao repassar algo pelo twitter. Sempre existirá alguém próximo o suficiente para estabelecer comunicação, mesmo estando este alguém do outro lado do mundo.

E mesmo com esse pulso elétrico, mecânico, o Onze sente um pequeno vazio. Tão humano quanto uma pequena peça responsável por uma imensa engrenagem de um mecanismo antigo. Uma peça tão pequena de importância tamanha.

Simulações de realidade, jogos, entorpecentes, mulheres, bebidas, livros, filmes. Válvulas inúteis de escape. Todo sistema do Onze agora só queria processar apenas um dado, uma variante. Incerta.

Lírio.

Lírio.

“Te amo”.

A Luana Piovani.

As luzes artificiais da Rua Augusta me incomodam menos que a luz da lua. Aquele reflexo solar rebatido por um corpo celeste me dá um calafrio estranho. E ela do meu lado, a quase decidida estudante de publicidade.

Andávamos juntos entre as sombras das poucas árvores e muitas pessoas no contra luz da rua, dos semáforos dos carros. Senti falta de ver um Opala por lá, eu gosto dos Comodoros. A rua cheia de gente estranha, bonita, bad asses, gringos, patys, gays. Ela é gay, a futura publicitária. O 0nze acha bonitinho o fato dela, assim como ele, gostar de meninas. Ele a vê como uma irmã mais nova, porém isso não derruba o fato dele achá-la uma menina linda. E com um jeito engraçadamente sedutor.

Tomaram juntos uma cerveja e caminharam, conversaram e pararam pra fumar. Nesse momento uma pernambucana com um sotaque marcante o pediu um cigarro. Logo ele, que não fumava à tanto tempo, ia ser a alma negra que compartilharia um passo mais próximo de um câncer, ele hesitou. Ela sorriu, simpática e de forma quase telepática disse para o 0nze não se preocupar, porque ela não era santa e sorriu novamente.

Rua Augusta

Rua Augusta

Ela tinha um sorriso grande, bondoso. Uma cara feia, muito expressiva e um jeito nordestino que ele conhecia bem. Um corpo bem feito, magro. Pernas firmes, magras. Bunda pequena e redonda, bem desenhada pela calça apertada. Estaria aí um truque? Essas mulheres…

- Qual seu nome? – Perguntou a companheira do 0nze.
- Luana Piovani – Respondeu a garota de programa.

E todos riram. Quando ela se virou e disse:

- Aproveitem.

E o 0nze riu, olhando o andar ritimado da Luana Piovani nordestina.

Continuaram fumando. E rindo, essa Rua Augusta.

Porcos fétidos.

(Mocinhas, esse texto relata a falta que fazem os amigos desse que vos escreve de forma semelhante a amizade que nós homens exercemos no nosso dia a dia, não levem isso como exemplo pra casa.)

Sim, porcos fétidos. É dessa maneira que eu tenho me referido aos meus melhores amigos. Porque amigos não têm frescuras, não têm escrúpulos e vivem sacaneando uns aos outros. E por incrível que pareça, essa é a forma que nós homens demonstramos o nosso afeto e respeito uns pelos outros.

É… É assim que se conhecem os verdadeiros amigos. Eu tenho exemplos que eu poderia passar horas falando sobre, tenho um amigo no qual eu brigo por hora e a briga sempre acaba em cerveja e risadas, tenho outro no qual minha amizade se baseia em xingamentos e ofensas de cunho pessoal e tenho outro no qual vivemos desabonando a conduta máscula um do outro. E garanto que estes são os melhores amigos que eu já fiz em vida, por quê? Porque são caras que vão falar o que pensam sem medo se que você se chateie com isso, vão dizer que aquela garota pela qual você está apaixonado é uma vagabunda e eles vão zoar muito você quando você levar um chifre, mas tudo isso de forma sincera apenas para alertá-lo do perigo. São caras que vão dizer que você está parecendo uma bicha com essa camisa apertadinha cor de rosa e são caras que vão rir pra caralho quando você disser que foi demitido. São caras que vão te levar pra um puteiro quando você estiver a meses sem ganhar um abraço sequer.

Puta que pariu, você peidou de novo?!
Puta que pariu, você peidou de novo?!

Isso sim é amizade, é sinceridade recheada de franqueza, sarcasmo e muita gozação. Porque o legal é ter a compania dos caras em todos os momentos, é rir das merdas que você faz ao lado dos que já fizeram pior. É chamar o outro de viado e ouvir um “que foi bicha safada?” e isso não ofende você, é afeto. De um jeito nosso de cultivar a forma de gostarmos um do outro. Naquele momento que estamos sozinhos tomando uma cerveja em frente ao computador e lembramos “porra, que saudades daquele filho da puta”.

Porcos fétidos. São vocês seus desgraçados e eram aquelas nossas reuniões em bares pra falar sobre qualquer merda, pra ficar olhando pra toda gostosa que passava sem ter a coragem de ir dar um oi, pra jogar vídeo-game gritando com todas as forças às 4 da manhã. Eram os socos trocados e o abraço sincero dizendo “porra, você deu um soco no meu queixo que doeu de verdade” enquanto você responde “você mereceu, otário”. São essas coisas que fazem falta por aqui.

Vão tomar no cu, porcos fétidos.

P.S. Tema sugerido pela @anakley do blog:

http://queinfortunio.wordpress.com/

Salmão ao creme de leite.

Um das coisas que eu mais gosto de fazer hoje é cozinhar. Começou como uma necessidade, desde o ano passado eu me planejava para sair da casa dos meus pais e morar sozinho e uma das coisas que a minha mãe mais frisava era: – Filho aprende a cozinhar, se não você vai gastar uma fortuna comendo na rua.

Sabe que conselho de mãe é tiro e queda, né?

Devo admitir que não foi difícil, nos finais de semana eu juntava-me a minha mãe na cozinha e ela ia me ensinando os truques. Ela ficava lá, sentada, observando e orientando seu filhote, revelando pequenos segredinhos desenvolvidos com anos e anos de prática na cozinha. Eu ouvia atentamente e tentava ainda dar um toque pessoal a comida. Testar misturas, temperos, e ler bastante a respeito.

Hoje morando sozinho, cozinhar realmente é uma grande necessidade e admito que é um verdadeiro porre cozinhar todos os dias. Mas em um domingo como este, um dia bonito em São Paulo, além de me inspirar a dar aquele trato no apartamento, fui pra cozinha com vontade. Então resolvi compartilhar a receita do almoço do dia.

Salmão ao Creme de Leite.

Você vai precisar de:

Forma de alumínio
Papel Manteiga
1 Salmão
1 Limão
4 Dentes de Alho
Páprica Doce
Cebola
Tomate
Sal
Creme de Leite

Corte o salmão em filés, e esprema o limão sobre eles esfregue o suco no Salmão e deixe descansar para pegar gosto. De 10 a 30 minutos é o suficiente.

Amasse o alho, esfregue nos filés pique a cebola e o tomate e junte aos filés.

Na forma de alumínio, forre com o papel manteiga coloque os filés e jogue a páprica doce por cima. Pré-aqueça o forno entre 160° ~ 200° e coloque os filés para assar.

Fique de olho, caso seja necessário acrescente um pouco mais de creme de leite enquanto assa. O ponto é quando as bordas do salmão estiverem bem douradas.

Hoje eu servi com arroz com brócolis e molho shoyo, batatas fritas e coca-cola bem gelada. Mas esse Salmão também cai muito bem com vinho tinto, seco e é uma ótima opção pra fazer no jantar e levar aquela mina para conhecer seu apartamento. Got it?

P.S. Pra quem não conhece a páprica, é um condimento feito com pimentão-doce. Aqui em São Paulo a Páprica pode ser achada facilmente no Mercado Municipal. Cuidado ao escolher pois a páprica varia desde o doce até o picante. Bon apetit.

P.S.² Eu vou ficar devendo a foto do prato, só pensei em postar a receita agora a noite porque queria escrever no blog e não conseguia pensar em um tema. Prometo mais receitas mais pra frente e com fotos, e se não me der muito trabalho até mesmo alguns vídeos.

We want you!

Darth wants you!

Darth wants you!

É aquela coisa, ócio + photoshop.

23…

Droga. Estou ficando velho, cansado, sozinho e não bêbado o suficiente. São quase 3:00 e eu sinto o corpo moído da viagem à Florianópolis e mesmo assim não consigo pregar os olhos. As luzes apagadas, a porta pra varanda aberta e o vento frio. Os pêlos do meu braço arrepiados, dançando sincronizados ao toque do ar gelado que sopra pra dentro desse cômodo agora tão escasso de energia.

O Cais, Florianópolis

O Cais, Florianópolis

É a vida. Passando um segundo por cada vez, ditado pelo mecanismo pirata do meu Casio G-Shock coreano. São 23 anos passados, cada um deles com a sua marca cronológica abandonada em arquivos de fotos e vídeos em uma extensão digital da memória humana.

Saudades.

E quem escolheu desta forma fui eu, pra mim mesmo, por mim mesmo.